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há uns anos atrás não se falava desta coisa de blogs, hoje digo, mais um blog!
Mas… qual o propósito para mais um blog (blogue)?
A explicação merece uma história. No dia 19 de Novembro de 2004 foi publicado no Jornal “o Figueirense”, um texto crítico de minha autoria, acerca da obra do artista e amigo Rako, exposta num restaurante de renome em Coimbra. O texto era o seguinte:
«RAKO NO NACIONAL
Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako. Fugazmente num iter que poucos conhecem, consegue explicar de modo plausível, as idiossincrasias estéticas extemporâneas, denunciando os estilos modais de vida das sociedades, entenda-se artísticas, como se de um gregário sacerdote se tratasse, por intermédio de dinâmicas estáveis. Sem preconceitos consuetudinários, ele explora os limites das fronteiras, num discurso plástico que explicita uma realidade próxima de um estatuto sedutor e cativante. Por selecção, elege um mundo natural, relegando um mundo outro, pertencente a um espectro civilizacional mais ridículo, ad perpectuam. O caminho é desbravado num silêncio, que procura a sua legitimidade, associando-se a uma ideia de modernidade, quer na forma, quer no conteúdo. Despeja-se (para os outros) de uma auto-significação, para um prelúdio inicial, onde importa realçar o seu sentido pedagógico para os tirocinantesnefelibatas, ou até mesmo para as pseudo-revelações. Encontramo-lo no seu ethos extremado, coerente e lógico, diria mesmo neológico, na sua incessante preocupação da redundância plástica tornada corrente e evidente. Incita ao pluralismo singular e particular, fugindo do estatuto de ordinário e devacuidade, onde professa a linguagem própria e inovadora, imperando o respeito
pelo valor ético, moral e estético. Mas Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, é também o paraninfo de várias vivências que preconizam um estado premonitório de uma linguagem que se afirma e se confirma aos olhos de quem quer ver. Obrigado Rako».
Após a sua publicação jornalistica, o referido texto foi apropriado como matéria-prima e publicado pelo proprietário dum blog figueirense (à beira mar), de seu nome José Luís Sousa, para ser alvo de ironia e maldizer.
Acho que toda a crítica só acarreta vantagem, no entanto, para criticar é necessário, além do mais, SABER, BOM SENSO e alguma PRUDÊNCIA, sob pena de alimentarmos a perversão intelectual. Ora, não foi o que se sucedeu com o referido senhor, que diga-se é jornalista da Agência Lusa, aliás eu gostaria de saber se o sr. José Luís Sousa escreve na qualidade de jornalista da Agência Lusa, ou antes na qualidade do José Luís Sousa que todos conhecemos. A sua intervenção crítica foi um medíocre pastiche, fruto de profunda ignorância sobre a temática em causa. Em consequência do absurdo, a sua mensagem foi prontamente objectada publicamente por mim, em formato de comentário, no seu referido blog. Passados que estão dois anos, o autor do blog decidiu não aceitar mais comentários directos aos seus textos, sendo que alguém queira expressar a sua opinião deverá fazê-la passar pela sua caixa de correio, para posterior apreciação, vulgo censura. Citemos o proprietário do "à beira mar": «Este blog DEIXOU DE ACEITAR COMENTÁRIOS aos textos publicados, no espaço habitualmente usado para o efeito. Eventuais reacções, por parte dos leitores, só serão aceites por e-mail [...] Isto não é um órgão de comunicação social, antes um ESPAÇO de OPINIÃO onde o autor escreve o que lhe dá na telha». Como se não bastasse, o mesmo autor toma a liberdade de condenar à castração todos os comentários anteriormente colocados. O radicalismo da sua decisão, além de me lesar, visto que quem toma contacto com a sua crítica, apenas terá acesso ao insultuoso texto e não às consequentes réplicas argumentativas (minhas e de outras pessoas); mas tampouco possibilita ao “forista”, a inclusão de novos comentários. Porque um “blog” não deverá ser apanágio de unilateralidade, abre-se este espaço para se constituir como um prolongamento de outros, que porventura assumam uma restrição à livre manifestação do pensamento.
Coloca-se portanto ao seu dispor este espaço, para que possa incluir todos os comentários excluídos ou censurados por outros blogs, tais como o "à beira mar". Pede-se então, a transcrição dos textos, fazendo referência ao historial do assunto, podendo ou não ser incluido o endereço (link) da sua origem. Com este espaço alternativo mostre o seu descontentamento, pelo hálito nem sempre feliz das elucubrações azedas, mostre a sua língua à profunda ignorância e à mediocridade congénita, ABAIXO A CENSURA.
Chuva Vasco
Nota 1: O aparecimento deste blog deve-se exclusivamente à recusa do sr. José Luís Sousa em recolocar os comentários em falta, ou em alternativa retirar a sua provocação. Esta situação serviu no entanto de mote, para possibilitar ao leitor a denúncia de situações idênticas.
Nota 2: Claro está, que qualquer cidadão poderá colocar o seu comentário, ficando no entanto vedada a entrada às loucuras do sr. José Luis Sousa. Com esta excepção, todos os comentários serão publicados.
Para abrir este espaço segue abaixo o histórico supra-referenciado:
Crítica do sr. José Luís Sousa, ao meu texto publicado no jornal “O Figueirense” a 19 de Novembro de 2004:
Sou tão culto, não sou? (by Chuva Vasco)
«Numa altura em que o país acordou para a discussão sobre o referendo à Constituição Europeia (o tal da pergunta que só alguns iluminados percebem), eis que o jornal “O Figueirense” resolve dar à estampa um “naco de prosa” do mais alto calibre, que faz qualquer leitor médio parecer um ignorante iletrado da pior espécie.O texto, que se reproduz de seguida, assinado por um tal de Chuva Vasco (seja lá ele quem for) remete para a uma exposição (de pintura?), da autoria do artista Rako, patente até final do mês num restaurante de Coimbra.Ah… este blog, qual serviço público de ajuda à leitura, junta ao texto uma série de notas explicativas (com o auxílio de um dicionário da Língua Portuguesa), às quais Chuva Vasco é, obviamente, alheio!
Rako no Nacional
Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako. (*)
Fugazmente num iter (1) que poucos conhecem, consegue explicar de modo plausível, as idiossincrasias (2) estéticas extemporâneas, denunciando os estilos modais de vida das sociedades, entenda-se artísticas, (3), como se de um gregário (4) sacerdote se tratasse, por intermédio de dinâmicas estáveis. (5)Sem preconceitos consuetudinários (6), ele explora os limites das fronteiras, num discurso plástico que explicita uma realidade próxima de um estatuto sedutor e cativante. (7)Por selecção, elege um mundo natural, relegando um mundo outro, pertencente a um espectro civilizacional mais ridículo (8) ad perpectuam. (9)O caminho é desbravado num silêncio que procura a sua legitimidade, associando-se a uma ideia de modernidade, quer na forma, quer no conteúdo. (10)Despeja-se (para os outros) de uma auto-significação, para um prelúdio inicial (11) onde importa realçar o seu sentido pedagógico para os tirocinantes (12) nefelibatas (13), ou até mesmo para as pseudo-revelações.Encontramo-lo (14) no seu ethos (15) extremado, coerente e lógico (16), diria mesmo neológico (17), na sua incessante preocupação da redundância plástica tornada corrente e evidente. (18)Incita ao pluralismo singular e particular, fugindo do estatuto de ordinário e de vacuidade (19), onde professa a linguagem própria e inovadora, imperando o respeito pelo valor ético, moral e estético.Mas Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, Rako, é também o paraninfo (20) de várias vivências que preconizam um estado premonitório de uma linguagem que se afirma e se confirma aos olhos de quem quer ver. (21).Obrigado, Rako. (22)Nota final: Bem pode o ministro Bagão Félix querer taxar a propriedade intelectual. Pela amostra, Chuva Vasco não paga impostos!
Notas explicativas
(*)- Atente-se na métrica e no ritmo: Ra-ko, Ra-ko. Genial! Clap Clap Clap.
1 - (deve ser gralha, não consta no dicionário)
2 - conjunto das disposições fisiológicas de cada individuo; que dão às suas associações um carácter subjectivo; o temperamento peculiar de cada indivíduo
3 - (entendemos, claro).
4 - O mesmo que gregarismo: tendência de indivíduos da mesma espécie para se reunirem e viverem juntos.
5 - (Fim do primeiro parágrafo. Vou buscar os lenços de papel e volto já!)
6 - fundados nos costumes, habituais.
7 - (hum, hum… e?)
8 - (mais ridículo que isto é impossível, isso sim!)
9 - Pois, é latim, escreve-se ad pertetuam e significa "para sempre".
10- (até ver, ainda ninguém percebeu nada do conteúdo mas… temos poeta)
11- Uma redundância. Prelúdio significa “prólogo, preâmbulo, o que precede”. Novidade seria um prelúdio final…
12- Sendo um “tirocinante” a pessoa que faz tirocínio, este é um exercício de principiantes.
13- Já um “nefelibata” é alguém “que anda nas nuvens, longe da realidade”. Ora.. nuvens… chuva.. e Chuva… está tudo dito!
14- (Finalmente, algo perceptível neste texto…)
15- (Ai a droga nessa cabecinha…!)
16- (Oh, oh!)
17- Que se refere à “neologia”, sendo esta o “emprego de palavras novas ou de novas acepções”. (E está mesmo tudo explicado, se mais ainda fosse preciso…!)
18- (Pois claro que é evidente. O quê?)
19- Estado de vazio, ausência de ideias.
20- Padrinho ou testemunha de casamento.
21- (Já acabou?)
22- (De nada, pá!)»
Minha resposta ao seu texto:
O COISO (“Seja lá ele quem for”) versus CHUVA VASCO
«Tenho a lamentar que, tenha expresso a sua vontade crítica, de forma tão absurda. Predisponho-me desde já a esclarecer (só na vertical, pois de outra forma não será possível) qualquer dúvida que tenha. Não voltarei no entanto a esta paragem para discutir este assunto, pelo que considere esta minha intervenção como derradeira.
Discurso Aporético:
A comunicação global é algo de fascinante, sobretudo para quem dela tira partido, no entanto, pode em determinadas circunstâncias vir a constituir-se como uma verdadeira Caixa de Pandora.
Uma vez mais comprovo (e adiciono às minhas vivências pessoais) que este tipo de atitudes virtuais tipo “fóruns”, podem tornar-se demasiado desagradáveis, sobretudo se o universo desse meio estiver contaminado.
Sr.(ª) “Coiso”, o seu comentário é profundamente incongruente e celeumático, não compreendo a sua intenção, considero-o um insurgente no seio desta comunidade, e passo a explicar hic et nunc:
Esta linguagem não é para si Sr.(ª) “Coiso”, prova disso é a forma como desmontou o meu texto. É a pura demonstração, de que não se encontra no pleno direito de opinar o que quer que seja sobre este assunto tão delicado que é a Arte.
Deixe-me esclarecer-lhe o seguinte, a crítica de arte realça o campo semântico que caracteriza a “fala” da arte (Cf. De Mauro), e por esse motivo é considerada de “língua especial”. A crítica de arte é uma linguagem técnica, bem assim como a linguagem matemática, (existem no entanto notórias diferenças, a matemática tem uma linguagem convencional, ao passo que a arte é intersubjectiva e plurivoca), apenas acessível a um mundo restrito. Mas, e eu discuto o discurso de um matemático? Não sou conhecedor do mesmo código! E o Sr.(ª) “Coiso” também não!
A sua explanação, diria antes aberração, tem implícita uma grande carga pueril. De facto, espantou-me, por momentos senti alguma afasia (por indiferença evidentemente). Contraponho-o Sr.(ª) “Coiso”, ao Sr. Rui, que demonstrou ser um grande exegeta (ensinando-lhe) algumas coisas, de entre as quais a mais importante é ser-se criativo, e para se ser essa “coisa”, temos de ser no mínimo originais, ou seja agir da forma como Ele o fez – atribuindo a sua significação pessoal, não por meio da transcrição literal do meu texto, mas sim interpretando a seu modo.
Para seu enriquecimento pessoal, consulte “Como se lê uma obra de arte” de Omar Calabrese, 1993, Edições 70.
Chego ao fim, e sinopticamente ainda não entendi o porquê da sua crítica pejorativa – será o Sr.(ª) “Coiso” o arauto de alguma conspiração?
Ok pá, até à vertical!PS: - Já agora deixe-me dizer-lhe que o seu dicionário é muito curto, pois iter existe mesmo (procure Sr.(ª) “Coiso”, procure…).- Julga o prelúdio inicial uma redundância? E não aceitaria um prelúdio final? Que dissensão.
- Ha! Quase me esquecia: de facto escreve-se ad perpetuam (e significa mesmo para sempre, parabéns). Este é o único ponto em que concordo consigo, mas errare humanum est …»
Resposta do Sr. Rui ao seu texto:
«Concordo plenamente com o facto de um leitor médio se sentir ignorante. Mas qual o mal nisso?? Não me senti minimamente ofendido por ter que pegar num dicionário para compreender e poder entender o sentido do texto. Pelo menos aprendi algo e enriqueci um pouco o meu vocabulário. Fazia bastante tempo que não me debatia com umas palavrinhas novas…Forca Chuva Vasco pois muitos de nós estamos fartos dos mesmos textos, das mesmas palavras. Deste nivelamento nacional da cultura pelo mínimo, pelas novelas, pelo sensacionalismo e pelo uso apensa de palavras para crianças do primeiro ciclo de ensino. Se temos ao nosso alcance uma ferramenta tão versátil como a língua portuguesa porque não usa-la?E qual e' o mal de um pouco de poesia quando se fala de arte??Muitos teriam preferido um texto tipo: gostei muito, são trabalhos usando esta e aquela técnica, com este e aqueles matérias, recomendo. Mas a beleza do texto está exactamente em não tocar pela bitola do texto comum e vulgar. Se assim fosse nem sequer não estaríamos agora aqui a escrever sobre este texto não é verdade?
Rui
PS 1 - tirocinante pode também ser experiência, pratica e não apenas aprendizagem (dicionário Porto Editora, versão on-line). A minha interpretação pessoal de tirocinante nefelibata é que é uma critica os experientes nestas andanças da arte mas que estão tão por fora da realidade. Aos tais que arte acabou a sua evolução com Van Gogh.PS 2 - Esta critica do Chuva suscitou a minha curiosidade sobre este pintor e que não vou deixar de ir ver esta exposição para ver se concordo com tanta prosa literária»